terça-feira, 1 de outubro de 2013

Cortejo Histórico e Etnográfico de Vila Real de Santo António 2013

239º Aniversário da Fundação de VRSA
No dia 13 de Maio de cada ano, Vila Real de Santo António assinala mais um aniversário da sua fundação. Habitualmente, o município organiza um programa cultural e musical e a habitual sessão solene (onde normalmente são homenageados vila-realenses que se destacam por mérito próprio dentro e fora do país.
Por norma, é organizada uma feira histórica na Praça Marquês de Pombal, na qual esta recua à idade das luzes, com um conjunto de recriações da época.
Todos os anos é apresentado um novo selo e carimbo alusivo ao aniversário da Fundação Santo António de Arenilha (que já conta com 500 anos).

 2014







2013



O Cortejo Histórico e Etnográfico acontece (anualmente) no dia 13 de Maio, cujo percurso tem início no Arquivo Histórico Municipal e percorre as principais ruas da cidade, terminando na Praça Marquês de Pombal. Este desfile é constituído por participantes que vestem e representam trajes característicos de cada época e de cada nível económico, desde o século XVIII até à actualidade.
Século XVIII
A figura principal é o Marquês de Pombal, que visita no coche, VRSA em conjunto com a sua comitiva.

O desfile completa-se com as gentes do povo e respectivos instrumentos de trabalho e produtos da época. A presença de elementos da Igreja não podia faltar.
Coche do Marquês de Pombal e sua comitiva
Trajes da época
Século XIX

Dá destaque à sociedade burguesa, com trajes de damas e cavalheiros, adequados a cada situação económica existente na própria burguesia. Fazem parte ainda outros elementos, como a bruxa e alguns intelectuais da época (Almeida Garrett, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e Alexandre Herculano.
Trajes da época, Burguesia
Escritores do Séc. XIX
Trajes da classe trabalhadora da época
(Rancho Folclórico Praia da Manta Rota, participação especial
Nasceu em 2001 e pertence ao Sotavento Algarvio, mais propriamente à Praia da Manta Rota, freguesia de Vila Nova de Cacela e concelho de Vila Real de Santo António.
Os seus trajes representam as diferentes classes sociais dos finais do Séc. XIX e início do Séc. XX da freguesia de Vila Nova de Cacela, população que vivia do trabalho do campo e da faina do mar.

O seu reportório baseia-se em corridinhos, bailes de roda, valsos pulados, marcadinhas, despiques e baile mandado, tal como se dançava na época.)


Século XX

Retrata a realidade rural e urbana da época, assim como os diferentes grupos socioeconómicos. Dá-se destaque para as conserveiras, os pescadores, as criadas de casa e figuras típicas de Vila Real. A Escola Primária da época do Salazar  é também reconstituída.
Noivos do início do Séc.XX
Damas de Cabaret, lá ao fundo a Escola
Classe operária da época (industrias conserveiras, vendedoras de frutas e legumes, varinas,...)
Trabalho do campo
Indústria conserveira
Operárias das fábricas de conserva
Capitães de Abril
Confrades do Atum
(Confraria do Atum

Foi fundada em 2008 e trata-se de uma associação sem fins lucrativos sediada em Vila Real de Santo António. Tem como objectivos a defesa da gastronomia do atum, a promoção enquanto espécie piscícola e o conhecimento da sua vertente histórico-cultural (origem, vida, pesca e produto gastronómico).)
Reconstituição de Amália Rodrigues quando, há muitos anos atrás actuou na Praça Marquês de Pombal

sábado, 28 de setembro de 2013

Salinas de Castro Marim

Em Castro Marim, nos sapais, surgiram as salinas entre o Guadiana, o oceano e a mão humana. Trata-se de uma extensão de 300 hectares constituídas por canais e pequenos espelhos de água, em solo argiloso compactado por séculos de labor humano, conjugado com a qualidade ambiental da Reserva Natural e o encontro entre o Atlântico e o Mediterrâneo. Todos estes factores dão origem ao Sal de Castro Marim, produto natural de alta qualidade.
A temporada do sal é entre Março e Setembro, altura da última colheita, e é constituída pela preparação das marinhas e a produção do sal.
Na primeira etapa é efectuada a limpeza de lodo e lamas, a reparação dos desgastes provocados pelo Inverno e a preparação das águas (entre Março e Junho); o que permite uma maior rentabilidade na quantidade e qualidade de sal recolhido posteriormente. Na preparação das águas, (proveniente do estaleiro e depositada no viveiro de água fria, num processo de decantação para diminuir a taxa de insolúveis), é efectuado o aumento da concentração da mesma entre viveiros. Depois, há que deixar circular a água naturalmente, por gravidade, através de um sistema de viveiros ligados entre si por comportas e canais de ligação, a um ritmo controlado. Quanto maior o percurso percorrido pela água, maior a sua concentração quando chegar aos cristalizadores, e mais rápido se dará a cristalização nos talhos, rentabilizando a produção.
Depois das intempéries do Inverno, o marnoto repara os desgastes e volta a encher os talhos de água, com uma altura ideal de cerca de 8cm, que entretanto já possui uma concentração elevada. O marnoto incumbe-se de controlar a altura da água nos talhos (atestados de 8 em 8 dias), que deve sempre manter constante, aumentando a saturação da água. A evaporação da água dos talhos não deve ser completa, para evitar a solidificação total dos cristais, o que dificulta a sua extracção.
Em meados de Junho, a primeira rasa começa a ser colheita, num total entre 3 a 5 rasas. O marnoto, na sua extracção manual, utiliza o rodo em madeira e uma técnica especial para extrair o sal dos talos e colocar nas barrachas, permanecendo cinco dias ao sol para perder o excesso de humidade. A partir deste momento, está pronto para ser transportado, armazenado e embalado.
Salina mecanizada
Salina manual


A Flor de Sal é constituída por pequenos cristais quebradiços, e deve a sua brancura a nunca ter tocado no fundo da salina. O processo de produção é paralelo à produção de sal marinho. Os cristais de sal que se formam à superfície da água constituem a flor de sal. Possui um sabor delicado, que se prolonga no paladar e acentua o sabor natural dos alimentos, sendo os cristais facilmente desagregados entre os dedos. Destina-se principalmente ao tempero dos alimentos já confeccionados: peixes e carnes já grelhados, legumes cozidos e saladas, pois dissolve-se facilmente e realça o sabor dos alimentos.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A pesca do Atum e Indústrias Conserveiras de Vila Real de Santo António


A Pesca do Atum em Vila Real de Santo António
Na época do Marquês de Pombal (séc. XVIII, até à década de 70), o atum era capturado por toda a costa algarvia. Quando se encontrava no Mediterrâneo, era denominado atum de direito e de recuado, quando passava pela costa algarvia, era denominado por atum de revês.
A captura era efectuada através de almadravas, armações fixas no fundo do mar e de grande complexidade, formando um labirinto de modo a fazer chegar o atum ao “copo” e, com a ajuda de arpões eram colocados dentro das embarcações (no mês de Maio e Junho para capturar o atum de direito e de recuado, e nos meses restantes para capturar o atum de revés).
Após capturados, os atuns eram transportados para as fábricas e colocados no chão para serem descabeçados. Quando eram muito grandes, penduravam-nos numa estrutura presa ao tecto, formando um alinhamento parecido com um arvoredo (por isso denominado de bosque).
Seguidamente, eram esquartejados, separando-se posteriormente a ventresca e o tarantelo, do tronco. Estas eram ainda cortadas em postas para serem cozidas em grandes tachos. Mais tarde, os tachos foram substituídos por bacines, onde a cozedura era feita por serpentinas a vapor.
Frota Piscatória, Homens que vão para o trabalho
Pesca do Atum
Frota Piscatória e antigo jardim
Cais de descarga da Fábrica S. Francisco
Cargueiro Ângelo Parodi e respectivo Cais
Descarga e controlo de peso do atum
Preparação da carga para transporte para a fábrica
Transporte do Atum do Cais para a Fábrica
Transporte do atum para a Fábrica

A indústria conserveira de Vila Real de Santo António surgiu após a fixação dos italianos na vila. Até este momento, as técnicas utilizadas eram primitivas, sendo o atum e a sardinha exportados do Alarve estivados em sal.
No início do séc. XX verificou-se uma progressiva expansão da indústria em Vila Real de Santo António, sendo que em 1903 existiam oito fábricas. Os donos eram na sua maioria de nacionalidade italiana. Por necessidade de apoio a esta indústria, desenvolveram-se a litografia, o fabrico de chaves, a carpintaria, a salga de peixe e a preparação de óleo.
O processo de fabrico era constituído por: o esquartejar do atum, tirava-se a espinha dorsal, colocava-se em tinas para sangrar; posteriormente era cozido e enlatado. Tratava-se de um trabalho incerto, sazonal e nocturno.
Entre muitas, a Fábrica de Santa Maria (de Ângelo Parodi) foi a primeira, fundada em 1879; surgiu também a Fábrica de São Francisco (do espanhol Francisco Rodrigues Tenório), a sua especialidade era atum em escabeche; em 1881 o italiano Sebastião Migone fundou a sua fábrica (vendida a Ângelo Parodi em 1886). A partir de 1884 surgiram outras fábricas, tal como a São Sebastião (fundada por Sebastião Ramirez), a Esperança, a Peninsular e a Guadiana.
Entre 1943 e 1953, VRSA chegou a ter 21 fábricas. Nesta época, os valores em atum e sardinha ultrapassavam várias centenas de toneladas. Esta cidade era o centro mais importante em produção e exportação de atum.
A maioria das fábricas encerrou na década de 70, e as que ficaram abertas acabaram por fechar. Em 2001 fechou a última fábrica de conserva, a Comalpe.

Existe em Vila Real de Santo António uma exposição permanente sobre a pesca de atum nesta época e respectiva indústria conserveira (rótulos, latas da época e vários utensílios utilizados), no Arquivo Histórico Municipal. Aconselho vivamente a visitar, pois possui um vasto património sobre esta época e as indústrias conserveiras, que funcionaram outrora.

Fonte das fotografias: facebook do Sr. Zeca Romão
Fábrica Parodi: descabeçar do atum
Processo de cozedura a vapor do atum

Fábrica Aliança
Fábrica do Grego
Fábrica Sales e Victoria