quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Visita à Olaria Moncarapachense

Por ser uma arte que me fascina, para além de estar em vias de extinção devido à população não lhe dar o devido valor, decidi visitar os bastidores da Olaria Moncarapachense, na qual fui muito bem recebido pelos seus proprietários, que logo se disponibilizaram para me fazer uma visita guiada.
A Olaria Moncarapachense foi fundada em 1953 pelo Oleiro João de Deus Eugénio (que por sua vez já conheceu os seus avô, pai e irmãos a trabalhar na arte do barro). Este também conseguiu incutir (e muito bem, como vão ter oportunidade de ver) esta paixão aos seus filhos, que mantêm os valores tradicionais e artesanais da arte da olaria.
Na sua fundação, era uma pequena olaria, dedicada apenas a loiça de água, cântaros, enfusas, …ou seja, utensílios mais usados na época. Mais tarde começaram a fazer chaminés algarvias (como ainda fazem hoje em dia) e tubos de manilhas para as canalizações de águas da época (com o auxílio de novas maquinarias).
Em 1971, o Oleiro João de Deus viu-se obrigado a emigrar para França, para suportar os tempos difíceis. Aqui, teve oportunidade de trabalhar numa Olaria, na qual lhe deram oportunidade de aprender novas técnicas e formas de trabalho, assim como outros métodos de tratamento de matéria-prima e trabalhar com fornos de altas temperaturas mais modernos.
Em 1978, já com melhores condições de vida, voltou para Portugal, reactivou a sua Olaria e fez renascer o seu negócio com a ajuda dos conhecimentos que adquiriu na França. Nesta altura, os seus filhos juntaram-se a ele no fabrico e foi então que começou a produzir todo o tipo de peças.
Hoje em dia, encontra-se todo o tipo de peças nesta Olaria (desde as tradicionais às vidradas e decoradas à mão, de todos os tamanhos e numa infinidade de modelos).
Deixo aqui belas fotografias de alguns dos infinitos artigos vendidos nesta fábrica, e que vale a pena visitar. A escolha é vasta, o que deixa o visitante com a difícil tarefa de tomar a decisão de escolher… Também se fazem todo o tipo de peças personalizadas, incluindo painéis em azulejo (da dimensão que deseja e 100% ao seu gosto), criadas pelo filho do Sr. João Deus Eugénio, oleiro de serviço.
Visite este Mundo!
A Olaria Moncarapachense encontra-se na Rua do Carmo, 14, Moncarapacho. Se por acaso não os conseguir localizar, ou se pretender marcar alguma visita, ligue para o 289792128, ou por e-mail: olaria.moncarapachense@gmail.com.

Pode ainda visitar o website http://olariamoncarapachense.com/



Como se molda uma peça em barro?
Manilha das antigas...fabricada nesta olaria há muitos anos



Técnicas de pintura de peças
Vidragem de peças
Cozedura e vidrado das peças









segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Feira da Praia em Vila Real de Santo António

Esta feira remonta ao ano de 1774 (data da fundação de Vila Real de Santo António), conhecida desde sempre por este nome, denominação originária do local da sua realização (frente aos areais do rio Guadiana). O objectivo da sua realização foi o alargamento social e económico da vila, para promoção das pescarias. Entre os primeiros fregueses da feira, destacavam-se os espanhóis de Ayamonte, como ainda se verifica nos dias de hoje.
Tem lugar anualmente em Vila Real de Santo António, de 10 a 13 de Outubro. Distribui-se ao longo da Av. Da República e da Praça marquês de Pombal, acolhendo milhares de visitantes, na sua maioria espanhóis, que no dia 12 (feriado em Espanha) se deslocam ate à nossa feira e comércio local para efectuar as suas compras.
Na avenida e ruas transversais, todos os cafés e restaurantes adaptam o seu cardápio ao gosto de nuestros hermanos. As restantes lojas da avenida também se preparam com artigos extra para o volume de visitantes que esperam por estes dias…
Na Praça Marquês de Pombal, podemos encontrar queijos e enchidos de vários pontos do país, produtos gourmet da nossa região, frutos secos, bacalhau, frutas e legumes a peso. Na Avenida da República, podemos comprar desde loiças a tapetes, cobres, sombrinhas (os paraguas que tantos espanhóis levam), roupa, calçados, electrodomésticos, utensílios de cozinha, entre tantas outras variedades. Não podia faltar as barraquinhas tipo taberna para petiscar, o pão com chouriço caseiro e as roulottes das farturas e dos waffles…

Existem ainda carrocéis para todos os gostos para os miúdos e graúdos…

Nuestros Hermanos a almoçar nas esplanadas dos nossos cafés

Na Praça Marquês de Pombal, comerciante de frutos secos
Mel da região de Tavira na Praça Marquês de Pombal
Produtos gourmet à venda na Praça Marquês de Pombal
"Conservas Gourmet"
Pastelaria Regional de Maria Almerinda Pereira, Alcoutim 
Pastelaria regional de Maria Almerinda Pereira 
Bancada de Bacalhau, na Praça Marquês de Pombal
Os "Paraguas"
Loiças na feira 
Farturas Bejenses
Tenda de flores
Cobres de Évora
Polvo assado da Fuzeta

Doces para miúdos e graudos
O nosso comércio local
Peças decorativas
Cobres de Évora
Waffles,crepes e espetadas de fruta com chocolate
O tradicional assador de castanhas, sinal da chegada do Outono
Visitantes na feira

Famílis Mateus e visitantes na feira
Diversões para os mais pequenos
Algodão doce para os miúdos e graudos

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Nos bastidores do Queijo do Azinhal...

Numa tarde muito bem passada, visitámos o Queijo do Azinhal! Trata-se de uma pequena queijaria tradicional que nasceu há quatro anos, através de uma iniciativa da ANCCRAL (Associação Nacional dos Criadores de Caprinos da Raça Algarvia), com o apoio da Câmara Municipal de Castro Marim. Situa-se no Centro Multiusos, logo à entrada do Azinhal.
Por aqui, produz-se da forma mais artesanal possível (dentro da legislação em vigor), sendo  a matéria-prima principal o leite de cabra recolhido apenas nos pequenos produtores locais seleccionados. O queijo fresco, queijo fresco com oregãos e o Iogurte fresco de cabra (ainda pouco divulgado) são os produtos de primeira qualidade que a Queijaria do Azinhal tem para nos oferecer.
Fomos muito bem recebidos pela responsável da queijaria, a Engª. Ana e pela restante equipa. A Ana disponibilizou-se imediatamente para nos explicar e mostrar todos os pormenores do fabrico, sem nos "esconder" um único pormenor. O que encontrámos foi uma excelente equipa de trabalho, num ambiente muito descontraído.

QUEIJO FRESCO
Para a produção do queijo fresco, é utilizado leite de cabra da melhor qualidade possível, cardo e sal marinho artesanal de Castro Marim (ver post Salinas de Castro Marim). 
A composição do leite de cabra varia de acordo com a raça, as diferenças genéticas dentro da mesma raça, a alimentação, a época do ano, o estado sanitário do animal, entre outros factores. Estes pormenores vão influencia a consistência e o sabor dos produtos finais.
O fabrico dos queijos resulta da combinação entre a Arte e a Ciência, sendo a Ciência um instrumento ao serviço da Arte. Trata-se de um processo que compreende várias operações, desde a produção do leite à expedição do produto para o mercado.
Matéria-prima utilizada no fabrico dos queijos
O processo de fabrico do queijo começa por se adquirir o melhor leite de cabra. Seguidamente o leite sofre um processo térmico de pasteurização (a 75ºC) durante alguns segundos, para que os microrganismos patogénicos sejam eliminados.
A etapa seguinte é a coagulação, onde é adicionada à matéria-prima o cardo. Este fica a actuar durante cerca de 40 minutos (o qual tem que ser mexido de vez em quando, tradicionalmente, dissolvendo a coalhada),para que se separe a coalhada do soro. O leite vai arrefecendo lentamente. A introdução de sal marinho de Castro Marim pode ser efectuada em diversas fases, favorecendo a libertação do soro (apesar destes produtos possuírem um baixo teor de sal).
Depois, é colocada uma determinada quantidade de massa na mão da queijeira, que é levemente prensadas em forma de bola, e colocada em aro, que origina um queijo com cerca de 180g. São colocados em tabuleiros de rede, para escorrer o restante soro, e conservados no frigorífico a 4ºC. Estão bons para consumo (sem perigo de azedar passadas poucas horas) após cerca de 12 a 16 horas no frigorífico a escorrer a esta temperatura. Retiram-se dos moldes, coloca-se o selo de qualidade e estão prontos para venda.
Conservação dos queijos e dos iogurtes naturais de cabra

QUEIJO FRESCO COM OREGÃOS

O queijo fresco com oregãos (delicioso...), é confeccionado do mesmo modo, sendo os oregãos adicionados à coalhada, bem escorrida, antes de prensar a massa e colocar nos aros. 




IOGURTE FRESCO DE CABRA

Já o iogurte fresco de cabra é uma boa opção para pessoas intolerantes ao leite de vaca. Delicioso ao natural, como opção pode-se juntar compota de morangos, fruta fresca, mel com ou sem frutos secos ou outros a seu gosto... 

Local onde os iogurtes são confeccionados
Todos estes produtos podem ser encontrados no local, em supermercados locais (como na charcutaria dos supermercados Corvo & Corvo de Vila Real de Santo António e Castro Marim), nos intermarchés locais, nas feiras tradicionais, entre outros. Para mais informações, ou para encomendas,  dirija-se ao local, no Centro Multiusos do Azinhal, ou contacte o 281495232, ou por e-mail: anccral@gmail.com
Vale a pena visitar e adquirir estes produtos! Para nós estão aprovados...