quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Feira da Serra…O Sabor da Tradição!




No último fim-de-semana de Julho de 2014 (tal como tem acontecido todos os anos) decorreu mais uma Edição da Feira da Serra de São Brás de Alportel. O tema central foi O Pão como símbolo maior da tradição gastronómica do nosso Algarve e na Dieta Mediterrânica.
Sendo um evento que já conquistou um lugar de referência no panorama cultural da região, o Algarve apresentou-se nesta feira como uma região plena de memórias e tradições, mas também de inovação e investimento.
O local, constituído por 15 espaços temáticos, revelou as cores, os sabores e os sons da Serra do Caldeirão ao longo das noites de 25, 26 e 27 de Julho, recheadas de muita animação, surpresas e momentos inesquecíveis para visitantes de todas as idades.
Relativamente ao Pão, os visitantes tiveram oportunidade de participar num percurso que começava na apanha do trigo (ainda no campo) e terminava no forno, onde o pão era amassado e cozido. Foram realizadas demonstrações gastronómicas inspiradas neste tema.
No Encontro de Sabores, espaço temático dedicado gastronomia, passaram os melhores restaurantes participantes, com pratos típicos da Serra do Caldeirão.
No Espaço da Aldeia Serrana (que preenchia a maior parte da feira) estiveram presentes os nossos artesãos, com peças originais de artesanato, produtos inovadores elaborados a partir de matéria-prima artesanal e como não poderia faltar, a doçaria tradicional e os enchidos.
No Sítio dos Curiosos, as crianças participaram em jogos tradicionais, insufláveis, pinturas faciais, entre outras atividades.
Em defesa da Floresta, o Mocho foi o convidado especial da Feira da Serra, procurando sensibilizar o público para a importância de respeitar o meio ambiente na prevenção dos fogos florestais.
O Picadeiro era local de passagem obrigatória durante as três noites, onde os visitantes assistiram a batismos de equitação, Sevilhanas, Cavaladas à Antiga, Garrochas de Fogo, ente outras atividades.
No Palco, para além dos artistas musicais convidados (José Cid convidado na última noite), assistiu-se a outro tipo de espetáculos, como o Zumba, Defesa Pessoal, Dança Contemporânea (…).
Se não teve oportunidade de visitar esta feira e localidade este ano, visite para a próxima edição e fique a conhecer um pouco da nossa fantástica região!



























































quinta-feira, 31 de julho de 2014

Empreita de Palma no Barrocal Algarvio




Em visita a uma das Feiras de Artesanato de Tavira, encontrámos a simpática artesã algarvia Maria Odete Carmo, que já trabalha na arte da Empreita de Palma (também utiliza outros materiais) desde os seus 10 anos de idade. Ensinada por sua mãe, esta artesã tem trabalhado durante toda a vida nesta arte, na qual dá formação, dando o seu contributo para que nunca se perca esta actividade tradicional algarvia.

As suas fantásticas peças de empreita (desde cestaria a bases para tachos, capachos com e sem cores, entre outros) podem ser encontrado em feiras de artesanato e em lojas.

Dado que se trata de uma actividade em vias de extinção, decidimos investigar sobre esta arte tão antiga e tão algarvia…

A empreita de Palma é uma actividade tradicional bastante antiga e predominante no Algarve, mais propriamente no Barrocal Algarvio.

Sendo tradicionalmente um trabalho efectuado por mãos femininas e apenas quando não havia trabalho no campo (era apenas um complemento), a empreita surgiu devido à necessidade de embalar figos, amêndoas e alfarrobas para o seu transporte.

Surgem então as alcofas, os cestos, as gorpelhas, as esteiras, as ceiras,… Mais tarde, criam-se objectos para utilização no quotidiano, tais como os chapéus, as vassouras, os  vasculhos, os capachos, os tapetes, os abanos, as bases para os tachos, sacos diversos, revestimentos para garrafões e garrafas de vidro, entre outros.

A empreita não é mais do que uma fita de palma entrelaçada. A folha de palma é proveniente de uma espécie de palmeira anã que crescia nos matos do Barrocal. Posteriormente, devido à escassez da planta, começou a ser importada do sul de Espanha.

Para executar qualquer peça em folhas de palma, é necessário preparar as folhas (ou fervas) de palma: ou eram colhidas no mato e colocadas ao sol a secar, ou compravam-nas já secas.

Depois, são escolhidas consoante a utilidade: as mais grosseiras são para utensílios menos exigentes, a outra é tratada. A palma é molhada para facilitar o seu manuseamento.

Na fase seguinte, enxofra-se a palma através de um banho de vapores de enxofre para que se possa clarear. Quando as folhas são muito largas, ripam-se para que fiquem uniformes.

Para produzir efeitos artísticos nos objectos, tingem-se as palmas, passando as mesmas por um banho de água quente com a cor pretendida. Nesta fase, corta-se o pé para soltar as folhas.

A palma está pronta para se fazer uma fita comprida e entrelaçada. Com a ajuda de uma agulha de cobre, a empreita é cosida com finas folhas de palma molhadas (para dar mais flexibilidade), ou com baracinhas (que é um fino cordão executado com palma enrolada).

O objecto ganhou forma, agora passa-se à fase dos acabamentos! É necessário debruar para rematar o bordo do objecto, efectuar as asas (quando necessário) que são feitas de baracinhas, cortam-se as pontas da palma que ficam a sobressair e o trabalho está terminado!

Hoje em dia, a empreita é apenas um tipo de artesanato representativo e uma das atracões turísticas do Algarve, não tendo mais a importância de outrora. É muito utilizada com finalidades decorativas.