segunda-feira, 10 de novembro de 2014

No Dia de S. Martinho Vai-se à Adega e Prova-se o Vinho…



Em Portugal, o Outono e a chegada definitiva do tempo frio são comemorados no dia 11 de Novembro, Dia de São Martinho.
Relativamente à história de S. Martinho, reza a lenda que “num dia tempestuoso ia São Martinho, valoroso soldado romano, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante…São Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, com a espada, cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo. E apesar de mal agasalhado e sob chuva intensa, preparava-se para continuar o seu caminho, cheiod e felicidade. Subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Estio inundou a terra de luz e calor. Diz-se que Deus, para que não se apagasse a memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a bênção dum sol quente e miraculoso. É o chamado Verão de São Martinho!”

A palavra Magusto significa “Queimado, grande fogueira, onde alabaravam as castanhas”.
O Magusto é a festa associada ao São Martinho e à apanha da castanha que se realiza nesta época do ano. Nesta festa, familiares e amigos reúnem-se à volta de uma fogueira, ao ar livre, onde se assam e comem castanhas, acompanhadas de jeropiga, água-pé ou vinho novo. Este último é o primeiro vinho que já está pronto a provar, após as vindimas dos meses de Setembro e Outubro
Afinal, o que é a jeropiga? Não é mais do que uma bebida alcoólica preparada adicionando aguardente ao mosto de uva para parar a fermentação, sendo o resultado final uma bebida mais doce e mais alcoólica do que o vinho.
E água-pé? É uma bebida alcoólica tradicionalmente portuguesa, com baixo teor de álcool, resultante da adição de água ao bagaço de uva e aguardente.
Estas duas bebidas de fabrico caseiro, são confeccionadas para consumo nos magustos e outras festividades tradicionais do Outono-Inverno.
E a castanha, qual a sua origem? Quantos anos tem? É oriunda da Ásia Menor, Balcãs e Cáucaso, acompanhando a civilização há mais de 100 mil anos. Esta sempre foi um importante contributo calórico para o homem pré-histórico, que também alimentou animais.
A castanha era utilizada pelos gregos e romanos para conservar o mel nas ânforas. Os romanos utilizavam as castanhas nos seus banquetes e durante a Idade Média, as castanhas eram moídas e utilizadas na culinária, tornando-se mesmo um dos principais farináceos da Europa. Chegou a substituir o pão e a batata!
É uma semente que surge no interior do ouriço, o fruto do castanheiro. A nível nutricional, a castanha é um hidrato de carbono com o dobro da quantidade de amido da batata.  É rica em vitamina C e B6 e uma fonte de potássio.
Cozidas, assadas ou transformadas em farinha, sempre foram um alimento muito popular, cujo aproveitamento remonta à Pré-história.

E você, como e onde festeja o Magusto?
















                                                              

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O Chalé Encantado na Quinta do Marim…



João Lúcio Pousão, Poeta e Advogado, nasceu em Olhão em 1880 e faleceu na mesma localidade, em 1918.
Como poeta, foi um dos mais relevantes em Olhão e no Algarve, tendo publicado quatro livros com a sua Obra. Para além de uma juventude cheia de publicações em jornais.
Para além de uma carreira brilhante como advogado, politicamente foi Monárquico convicto e orador fluente, chegou mesmo a ser Deputado franquista em 1906 e posteriormente Presidente da Câmara de Olhão.
Após o falecimento do seu filho varão, João Lúcio procurou um local isolado onde pudesse ter um maior isolamento espiritual.
Deste modo, em 1916 deu início à construção do chamado Chalé do Marim (hoje em dia), uma moradia escondida no pinhal da sua Quinta de Marim. Local rico em lendas seculares sobre encantamento de Mouras (apesar de não ter tido tempo de usufruir da mesma, devido ter falecido logo após a sua conclusão).
Trata-se de um edifício quadrangular, com três pisos, sem frente nem traseiras. É constituído por quatro entradas, cada uma com o seu significado e distribuídas pelos quatro pontos cardeais. 
A escadaria a Norte tem a forma de peixe, que significa a água; a escadaria a Sul com forma de guitarra, representa o fogo; a escadaria a Nascente, com forma de Violino significa o ar; e por fim a escadaria a Poente com forma de Serpente significa a Terra (está voltada para a Urbe de Olhão)
Cada sala interior apresenta determinada simbologia (expressa nos adornos) e corresponde ainda a um poema.
Pelo seu exoterismo, considera-se um exemplo máximo da arquitectura simbolista em Portugal (existe apenas mais um exemplar em Portugal, a Quinta da Regaleira em Sintra).
Localiza-se junto ao Parque de Campismo de Olhão, e actualmente serve de Ecoteca de Olhão. Conservam-se alguns objectos pessoais do poeta e documentação variada, em exposição e aberto ao público, para quem quiser conhecer mais.
Pela beleza arquitectónica e sua envolvente natural, vale a pena a visita.

O Chalé antes do seu restauro...

O Chalé antes do primeiro restauro